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À conversa com o Tiago Matos

Escrito em 06 de julho de 2021

À conversa com o Tiago Matos

Este mês de julho no âmbito do #plasticfreejuly vou conversar com várias pessoas que me inspiram na caminhada de uma vida com menos plástico e menos desperdício. 

Para começar esta espécie de entrevistas, nada melhor que começar com o Tiago Matos , não só porque ele faz um trabalho incrível na área da sustentabilidade (e não só), mas porque é mt raro encontrar um homem por estes lutas! Se não conhecem o Tiago vão lá espreitar o perfil dele e sigam que vale a pena!

 

1 – Quando sentes que começou a tua preocupação com a redução do plástico? Há alguma situação/momento especifico que contribuiu para isso?

Sim, lembro-me perfeitamente. Estava a viver em Lisboa em 2019 e fui às compras com uma amiga minha que morava perto de mim e quando fomos comprar legumes, eu peguei num saquinho das frutas e comecei a colocar lá para dentro os alimentos. E ela vira-se para mim e pergunta-me porque é que estava a fazer aquilo. Fiquei bastante impressionado com a pergunta, porque achei que era mandatório fazermos daquela forma.

Ela explicou-me que não era preciso e que podia levar um saco meu de casa. Foi a última vez que comprei fruta e legumes em saquinhos de plástico descartável.

A partir daí comecei a pensar em todas as coisas que fazia onde usava plástico sem necessidade. Aí comecei a minha jornada Zero Waste.

 

2 – Qual é para ti o maior desafio na substituição do plástico, ou seja, onde é mais difícil não usar?

Para mim, as dificuldades são nas massas e arroz. Sei que existe massa a granel, mas que considero um valor alto em relação às massas embaladas. Quanto ao arroz, não é permitido com arroz a granel simples, então não compro.

Sei que existem opções em papel, mas ainda não estudei qual será mais viável de utilizar.

 

3 – Qual a utilização de plástico que vês como mais absurda, aquela que não faz mesmo sentido nenhum? 

Tenho umas quantas.

Gomos de laranja embalados, maçãs cortadas embaladas, ovos cozidos embalados, frutas em geral individualmente embaladas.

Porquêêêê?

  

4 –Nos últimos tempos temos visto o aumento da utilização de produtos descartáveis usados na proteção contra a Covid 19, muitos deles em plástico, achas que esta situação veio agravar o problema, o que é que um cidadão comum pode fazer nestes casos? 

Sim, veio agravar, sem dúvida. Vemos muitas máscaras perdidas pelo chão ou que voam dos contentores, porque não colocam devidamente lá dentro. Já existem imagens de animais presos em máscaras. É preocupante sim, mas nada surpreendente.

Neste caso, acho que a saúde está em primeiro lugar, se tivermos que usar alguns descartáveis em algumas situações, que seja. Agora, se vão usar, o que acho realmente importante é as pessoas serem cívicas e descartarem corretamente esses produtos.

 

5 – A 3 de julho entra em vigor a diretiva da UE, aprovada em 2019 por todos os Estados-membros, que estabelece uma redução dos plásticos de uso único. Achas estas medidas suficientes? O que mais pode ser feito?

Acho ótimo que a UE esteja preocupada com as problemáticas do plástico de uso único, mas confesso que acho também perigoso esta nova medida. Estou preocupado com os substitutos que vão arranjar para os substituir.

Substituir descartável por descartável não é solução. Acho que temos de apostar em produtos reutilizáveis e acessíveis para todas as classes sociais.

 

6 – Como costumas incentivar os outros à mudança, sabemos que dar o exemplo é sempre o melhor, o que fazes para convencer os amigos e familiares mais céticos?

O primeiro passo é colocarmo-nos no lugar destas pessoas. Eu já estive na posição delas e sei o quão fácil é dependermos de alternativas rápidas e descartáveis.
A forma como tento sensibilizar essas pessoas é a conversar e perceber a realidade delas. Tem de ser uma conversa personalizada, porque todos temos vidas diferentes, disponibilidades diferentes e timings diferentes.

Por exemplo, em casa, é mesmo através do exemplo. Eu quando estou em casa dos meus pais, faço questão de ir às compras com o meu pai para ele aprender a usar os sacos que traz de casa. Eu faço as compras por ele para ele nem vir com o argumento “ que vergonha”.

 

7 – Que dicas podes dar a quem está agora a começar esta jornada de uma vida sem plástico (ou pelo menos com menos plástico).

Fazer uma auditoria ao nosso lixo. Perceber que embalagens usei que posso não comprar. Qualquer pessoa vai dizer “Eu nem faço muito lixo e até reciclo”. Não, é preciso fazer uma análise do nosso caixote de lixo para percebermos realmente onde podemos melhorar.

  

Obrigada Tiago, foi um prazer conversar contigo.

Gostaram desta “entrevista”?

Até ao final do mês irei conversar com mais pessoas que me inspiram, fiquem atentos!


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